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RELATO RIO JUMA, OUT/2017

 

A CHEGADA

 

Cruzando o encontro das águas

 

Reservar uma data pra pescar na Amazônia com um ano de antecedência é como jogar na loteria, pois é impossível prever o nível das águas até chegar próximo do embarque. E se você acertar a mão o prêmio pode ser pra vida toda!

 

Eis que a sorte estava do nosso lado e fomos agraciados com águas em nível excelente pra pesca! O rio estava baixo, mas não seco demais, e seguia baixando cerca de 15 cm por dia. Após dois aviões, um trecho de 20 minutos de micro-ônibus até o porto da Ceasa, uns 30 minutos de lancha para atravessar o encontro das águas do Rio Negro e Solimões até o Careiro, mais 1 hora em outro micro-ônibus até o ramal do Rio Juma e mais 30 minutos na lancha da pousada, finalmente fomos recebidos com um drink de boas-vindas em nosso lar pelas próximas 6 noites. Já estava escuro e a longa viagem parece ter aguçado a sede do pessoal, que não economizou risadas e doses de Campari.

 

Às 05:30 da manhã escutei a baderna da turma do Campari levantando e caminhando até o restaurante, quando um deles os interrompeu, um santo homem, que se deu conta não terem ajustado seus relógios para o fuso local, era 04:30 e ainda restava uma hora de sono... Obrigado, Senhor!

 

O pobre do Valmir, minha dupla de pesca naquele dia, teve que esperar todos os barcos zarparem, um a um, pra que pudéssemos, enfim, sentir o vento da manhã amazônica no rosto e aquela sensação única de expectativa sobre uma semana inteira de pesca na selva. Só no fim da pescaria, o Toninho me confessou que nesta primeira manhã, logo nos primeiros minutos, a sensação fora a pior devido à quantidade de embarcações zanzando no Rio Juma e Maçarico.

 

A apreensão logo deu lugar à adrenalina da primeira captura, um Tucunaré Popoca na mosca do Valmir. Em seguida, vieram Borboletas e alguns Pacas mais crescidinhos, próximos de 4 quilos. O melhor de tudo é que pescávamos com vara #8 e linha flutuante, víamos os peixes atacando os streamers, trabalhados a um ou dois palmos de profundidade. Foi um primeiro dia fantástico, com muita ação e peixes lindos!

 

Os primeiros peixes deram a cara logo nos primeiros arremessos

 

A nossa turma era muito eclética, com pescadores de todos os perfis, e nos demos muito bem! Estávamos em 14 pessoas, sendo que 4, contando comigo, embarcaram sozinhas e então fizemos rodízio de duplas. Funcionou muito bem e este sistema será adotado pras próximas viagens. Assim, todos que viajam sozinhos pescam entre si e revezam os guias também.

 

 

A PESCARIA
O café da manhã era servido religiosamente às 05:30 da manhã para sairmos às 06:00 para pescar. Os pesqueiros  estão distribuídos em toda a extensão do rio Juma e lago do Maçarico, sendo entre 30 e 60 minutos de navegação até aqueles que mais exploramos.

 

Eu optei por pescar todo o tempo com vara #8, linha floating e streamers 2/0 de tamanho médio, uns 12cm, e design slim, curtindo os arremessos e buscando precisão para tirar os peixes das galhadas. Foram inúmeros os tucunarés capturados em galhadas, especialmente nos troncos mais grossos caídos da margem e submersos em direção ao leito do rio. Bastava passar a isca "lambendo" a estrutura e o flash esverdeado se revelava. Mas a situação em que capturamos os maiores peixes foi ao escutar ou ver uma caçada. Nestes casos a isca trabalhada de forma mais provocante era fatal.

 

O pessoal também teve sucesso com linhas intermediárias e até mesmo sinking. Parece que os grandes estavam mais no fundo, territoriais, habitando os drop offs do Juma. Com iscas de superfície eu tive poucos ataques e acabei focando na pesca com streamer no visual, que é extremamente divertido! Primeiro, porque o peixe é visto antes de pegar a isca e segundo porque é preciso ter sangue frio pra não tirar a isca da boca deles com a famosa fisgada de truta - trout set (reflexo de levantar a vara ao ver o peixe). A verdade é que os tucunarés maiores abocanham a isca e correm pra galhada, bastando firmar a linha, aguardando o piloteiro afastar o barco da estrutura. Somando a isto, um anzol afiado com a farpa amassada e uma dose de sorte, e está garantida uma bela fotografia. 

 

O anti-enrosco nos streamers se mostrou um diferencial, permitindo arriscar mais nos arremessos, além de não matar o pesqueiro numa eventual enroscada. Utilizamos fluorocarbon 1,00mm e 0,80mm simples ou duplo.

 

No geral, os dias foram muito produtivos, especialmente as manhãs. Eu não costumo contar a quantidade de peixes capturados, mas estimo que no meu barco tenha saído uma média de 30 peixes por dia. Na verdade, isso é muito relativo, pois quando encontrávamos um cardume de tucuninhas era uma festa e com uma isca pequena era um atrás do outro. Em todo o grupo foram capturados cerca de 8 Tucunarés acima de 7 kg, sendo o maior um lindo exemplar de 8,5 kg. Alguns Aruanãs deram as caras, inclusive um enorme de 87cm que eu tive o privilégio de ver o Toninho pegar. Encontramos alguns Jacundás caçando junto com cardumes de Tucunarés pequenos, poucas Piranhas e alguns afortunados pegaram até Pirarucus.

 

Jacundás em meio aos cardumes de Tucuninhas

 

No segundo dia, a pescaria havia começado bem difícil e foi um braço do Juma que elevou a nossa moral com diversos peixes, eles estavam enfiados dentro das galhadas e era preciso insistir pra levantá-los. Depois de salvar a manhã, paramos ali mesmo pra almoçar, tranquilos, embaixo de umas árvores, fugindo dos trinta e poucos graus do sol do meio dia. Uma cervejinha estupidamente gelada pra abrir o apetite, dois sanduíches completões, um bom papo com o Seu Ivo, nosso guia, enquanto o Toninho tirava um cochilo e por fim, um refrescante banho de rio! Essa era a nossa rotina do meio dia.

 

Ah, vale a pena comentar que eu registrei 45 graus celsius na plataforma do barco. Por isto, a importância de usar linhas tropicais de boa qualidade.

 

Naquele dia, enquanto descansávamos na sombra, escutávamos os estouros dos Tucunarés caçando por toda a parte naquele braço de rio. Era a mais linda música pros nossos ouvidos. Levantamos "acampamento" e começamos a bater na margem oposta, quando escutamos um estouro muito violento próximo de onde almoçamos, a uns 50 metros de distância. Prontamente o Ivo torceu o pulso no motor elétrico e nos colocou cara a cara com a caçada, que acontecia atrás de uma galhada! Pra não correr o risco de errar o arremesso e matar o pesqueiro, fiz um lançamento bem conservador em frente a um corredor aberto que tinha entre a galhada e a margem, dei uma trabalhada rápida no streamer e o bicho errou o bote! Eu e o Ivo reagimos com um breve "ahhh"!! Mas eu consegui manter a frieza pra seguir trabalhando a isca normalmente e ver o bichano furioso grudando a isca novamente, sem errar desta vez!! Senti uma dose gigante de adrenalina injetada diretamente na minha corrente sanguínea. Afastamos o barco da galhada e depois de alguns minutos, com lindas tomadas de linha, o maravilhoso Tucunaré Açu estava sendo registrado e devolvido à água. Emoção impossível de descrever e que só os pescadores entendem.

 

Meu inesquecível presente do Juma

 

O CAMPEONATO

O cobiçado prêmio!

 

Eu resolvi fazer uma brincadeira nesta viagem, então fizemos uma competição muito descontraída, premiando com um lindo troféu de acrílico o pescador que capturasse o maior peixe com isca artificial (fly e bait). Para medir os peixes cada pescador recebeu uma trena personalizada da Flypesca.

Até o terceiro dia o Toninho liderava a competição com o Aruanã de 87cm, quando foi superado por um Tucunaré Açu de 88cm capturado pelo Zé!! Foi muito divertido, especialmente a corneta entre a turma! Casualmente cruzávamos pelo barco do Zé e do Marcelo quando eles estavam manuseando o lindo peixe e não restaram dúvidas quanto ao recorde da viagem! A dúvida ficou mesmo em quem havia capturado o peixe, se fora mesmo o Zé ou o Marcelo... um dia ainda vou descobrir onde reside o troféu lá no Mato Grosso ;)

 


MATERIAL UTILIZADO

Vara ECHO Boost #8 9'0"

Carretilha ECHO Ion 7/9
Linha Airflo Tropical Punch #8
Leader de aprox 2,3m de Fluorocarbon 0,60mm (44lb)
As moscas que mais funcionaram foram os streamers médios em cores claras, com branco predominante ou cores cítricas. 

 

Os guaranás fazem parte do equipamento indispensável da Amazônia

 

A POUSADA

A pousada Amazon Rain Forest mostrou-se uma ótima escolha. Oferece uma estrutura simples, mas com tudo o que precisamos, ar condicionado nos quartos e no restaurante, banho quente, camas confortáveis, limpeza, boas refeições e barcos apropriados pra pesca com mosca. Os funcionários são extremamente atenciosos e a maioria dos guias é experiente. As bebidas estavam sempre geladas e nunca faltou nenhum suprimento, exceto um ou outro problema de manutenção que tivemos em dois motores elétricos e em um motor de popa, contornados rapidamente e sem grandes prejuízos à pesca.

 

A pousada está localizada às margens do lago do Maçarico e o fator mais negativo é a distância de navegação até os pontos mais acima do rio Juma, que consumiam 2 horas por dia (uma pra ir e outra pra voltar).

 

Sol nascendo às 06:00 em frente à pousada

 

O RIO JUMA

A minha conclusão é de que o Rio Juma tem uma excelente relação custo-benefício, está próximo de Manaus, os pacotes têm preços atrativos e temos a possibilidade de capturar muitos peixes, com sorte, grandes peixes!

 

Justamente em função da proximidade de Manaus o número de pousadas está aumentando e por consequência, a pressão de pesca. Às 06:00 da manhã você poderá sentir que está na largada de uma competição de pesca, tamanha a quantidade de barcos cortando as águas do rio, apesar de eu não achar que isto tenha prejudicado a nossa viagem. Mas tenho a impressão de que, se não houver uma política para regular a abertura de novas pousadas, bem como o controle rigoroso para garantir a população de Tucunarés, o rio Juma estará ameaçado nos próximos anos.

 

A "rabeta" é um meio de transporte popular entre os ribeirinhos

 

Obrigado a todo o grupo que participou desta expedição e confiou em nosso trabalho. É uma responsabilidade muito grande e uma alegria maior ainda auxiliar vocês na realização deste sonho, que é uma viagem de pesca! Agradeço também aos meus parceiros, Glaucio, João Guilherme e Fellipe, da Labadee Sport Fishing, que me ajudam a organizar estas viagens com excelência.

 

E você vai ficar só na leitura? Confere lá os próximos destinos e vem pescar com a gente!!

 

Boas flyzeadas,

Marcus Konze

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